sexta-feira, 6 de Agosto de 2010

Angina (estável e instável)

Por definição “angina” significa dor ou desconforto provocado por isquémia do miocárdio, sendo habitualmente localizada no centro do tórax e definida como um aperto.
Tal como nas situações de Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM), a dor/desconforto irradia frequentemente para a garganta, para ambos os membros superiores (é mais comum atingir o esquerdo), para o dorso ou para o epigastro. Alguns doentes podem, aliás, apresentar o episódio anginoso sobretudo numa ou em várias destas áreas e não necessariamente no tórax. Em muitos casos a dor pode ser descrita apenas como um desconforto e não como uma dor propriamente dita. Tal como no EAM a angina é por vezes acompanhada de eructações e nestas circunstâncias pode ser falsamente interpretada como patologia do foro digestivo.
A dor anginosa, que surge apenas após esforço e que cessa de imediato quando este termina, é denominada ANGINA ESTÁVEL e NÃO É UM SÍNDROME CORONÁRIO AGUDO.
Por oposição, a angina instável é definida por um ou mais dos seguintes sintomas:

1 – Angina de esforço que ocorre ao longo de alguns dias com uma frequência de episódios crescente, sendo estes provocados por esforços progressivamente menores. Tal situação é referida como “angina em crescendo”.

2 – Episódios de angina que surgem de forma recorrente e imprevisível, sem que exista especificamente uma relação com o esforço. Estes episódios podem ser de curta duração (alguns minutos) e aliviar espontaneamente ou mediante a administração de nitratos sublinguais, surgindo novamente nas horas seguintes.

3 – Um episódio prolongado de dor torácica que surge de forma súbita e sem causa aparente, muito semelhante à dor do EAM, mas sem evidência electrocardiográfica ou laboratorial de enfarte.
Na angina instável o electrocardiograma pode ser normal ou apresentar as seguintes alterações:

a) Evidenciar isquémia aguda do miocárdio (habitualmente infradesnivelamento do segmento ST)
b) Evidenciar alterações electrocardiográficas inespecífícas (inversão da onda T)

Nas situações de angina instável os valores da enzimologia cardíaca são habitualmente normais, salientando-se que existem outras causas não cardíacas para o aumento da CK (há hospitais onde a CK-MB não é doseada). Relativamente à troponina a sua libertação é mínima ou nula. As alterações electrocardiográficas, sobretudo o infradesnivelamento do segmento ST é um sinal de risco acrescido para a ocorrência de outros episódios coronários em doentes com angina instável.

A existência de troponinas positivas constitui igualmente um maior risco, cuja gravidade é proporcional ao valor deste marcador de lesão do miocárdio. Contudo, um ECG normal com troponinas negativas não implica necessariamente que o doente com angina instável não esteja em risco de desenvolver graves episódios coronários subsequentes.

Se a história clínica inicial é sugestiva de angina instável o diagnóstico diferencial da dor no peito só deve ser considerado nas situações em que o ECG é normal, os marcadores de lesão do miocárdio são negativos e a restante avaliação de risco (ex. prova de esforço) não evidenciam a possibilidade de isquémia reversível do miocárdio.

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